Aos 30 anos, geração acompanhada desde o nascimento tem alta da obesidade e dos transtornos mentais comuns, diz pesquisa no RS

  • 07/09/2026
(Foto: Reprodução)
Exame de composição corporal Daniela Xu/ Acervo UFPel Chegar aos 30 anos significou mais anos de estudo e maior participação no mercado de trabalho para a geração nascida em 1993, em Pelotas, no Sul do RS. Em contrapartida, esse mesmo grupo passou a conviver com índices mais elevados de obesidade, transtornos mentais comuns e exposição ao tabagismo. O cenário é apontado por novos resultados da Coorte de Nascimentos de 1993, pesquisa desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que acompanha os participantes desde os primeiros dias de vida. Na etapa mais recente do estudo, 3.333 pessoas foram entrevistadas aos 30 anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Segundo a coordenadora da Coorte de 1993, Helen Gonçalves, os resultados revelam mudanças rápidas nas condições de vida da população e os reflexos dessas transformações na saúde. "Os dados mostram uma geração que chegou aos 30 anos com conquistas importantes em educação e trabalho, mas também com uma carga crescente de fatores de risco para a saúde", afirma. Escolaridade e trabalho em alta Entre os 22 e os 30 anos, a média de anos de estudo aumentou de 9,8 para 10,3. As mulheres apresentaram indicadores educacionais superiores aos dos homens: quase metade delas (48,4%) alcançou 12 anos ou mais de escolaridade formal, enquanto entre os homens esse percentual ficou em 38,1%. Agora no g1 O levantamento também identificou crescimento na participação no mercado de trabalho. A proporção de participantes empregados passou de 63% aos 22 anos para 75,7% aos 30 anos. Apesar disso, a pesquisa mostra diferenças marcantes entre homens e mulheres quando se analisa quem está fora do mercado. Entre as mulheres que não trabalhavam, 41,4% disseram ter deixado o emprego para cuidar dos filhos em tempo integral. Entre os homens, apenas 0,9% apontaram o mesmo motivo. Já entre os homens sem ocupação, os fatores mais citados foram a falta de oportunidades de trabalho (29%) e problemas de saúde ou acidentes (18,8%). Para os pesquisadores, os dados indicam que as tarefas de cuidado continuam recaindo de forma desproporcional sobre as mulheres, o que pode limitar sua permanência no mercado de trabalho. Excesso de peso A evolução dos indicadores de saúde chamou atenção dos pesquisadores. Em menos de uma década, a proporção de participantes com obesidade praticamente dobrou, passando de 16,2% aos 22 anos para 32,9% aos 30. Quando são considerados conjuntamente os casos de sobrepeso e obesidade, o percentual chega a 66,5% dos participantes. A obesidade e o excesso de peso não foram obtidos por autorrelato. Os participantes passaram por avaliações presenciais, com medição de peso, altura e circunferência da cintura, além de exames avançados de composição corporal, como absorciometria por dupla energia (DXA) e pletismografia por deslocamento de ar (BodPod), métodos considerados de alta precisão. Ansiedade e depressão atingem mais mulheres A saúde mental também apresentou deterioração entre as duas avaliações. A presença de transtornos mentais comuns avançou de 22% para 38,2% entre os 22 e os 30 anos. As mulheres registraram os indicadores mais preocupantes. A prevalência de ansiedade entre elas chegou a 28,7%, quase o dobro da observada entre os homens, que foi de 14,9%. Os índices de depressão também foram mais altos no público feminino. Entre as mulheres, 9,2% relataram a condição, enquanto entre os homens o percentual foi de 3,2%. A saúde mental foi investigada por meio de escalas padronizadas respondidas pelos próprios participantes e também por entrevistas presenciais realizadas por psicólogos treinados. Entre os instrumentos utilizados estão questionários para rastreamento de ansiedade, depressão e transtornos mentais comuns, além da entrevista diagnóstica M.I.N.I., usada para identificar transtornos psiquiátricos específicos. Riscos cardiovasculares A comparação com outras gerações acompanhadas pelas coortes de nascimento de Pelotas aponta mudanças no perfil de saúde ao longo do tempo. Na avaliação realizada aos 22 anos, 18,2% dos participantes da Coorte de 1993 apresentavam síndrome metabólica, condição caracterizada pelo aumento da circunferência abdominal associado a outros fatores de risco, como pressão alta, alterações na glicemia ou nos níveis de colesterol e triglicerídeos. Os pesquisadores avaliam que fatores relacionados às doenças cardiometabólicas estão surgindo cada vez mais cedo nas gerações recentes, em um contexto de transformações na alimentação, na prática de atividades físicas e nos hábitos de vida. "Quando um indicador se move assim numa geração inteira, a explicação mais provável não deve estar nas escolhas de cada um, mas nas condições em que a população vive, trabalha, se alimenta", explica Helen Gonçalves. Tabagismo e saúde pulmonar Os resultados também indicam uma associação entre a exposição ao cigarro e alterações observadas na saúde respiratória desde a juventude. A pesquisa identificou que a exposição acumulada ao tabaco já estava associada à redução da função pulmonar aos 22 anos, relação que também foi observada na avaliação aos 30 anos. Na avaliação mais recente, 17,7% dos participantes se declararam fumantes. Além disso, 12,8% informaram utilizar cigarro eletrônico diariamente. Segundo a pesquisadora Larissa Picanço, autora do estudo sobre a relação entre carga tabágica e função pulmonar, os danos provocados pelo cigarro podem ser percebidos muito antes da velhice. "Uma das mensagens mais importantes é que os efeitos do tabagismo já podem ser identificados muito cedo. A exposição vai se acumulando ao longo do tempo, e não é preciso chegar à velhice para que apareçam alterações mensuráveis na função pulmonar", afirma. Sobre o estudo A Coorte de Nascimentos de 1993 acompanha moradores nascidos em Pelotas desde o primeiro ano de vida. O estudo recrutou originalmente 5.249 participantes e, na avaliação realizada entre 2023 e 2024, entrevistou 3.333 pessoas aos 30 anos. Considerando também os 242 óbitos identificados ao longo do acompanhamento, a taxa de retenção chegou a 68,1%. Os dados fazem parte da avaliação dos 30 anos da Coorte de 1993, cujo perfil metodológico foi publicado no periódico científico International Journal of Epidemiology. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/09/07/aos-30-anos-geracao-acompanhada-desde-o-nascimento-tem-alta-da-obesidade-e-dos-transtornos-mentais-comuns-diz-pesquisa-no-rs.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. A CULPA É NOSSA

NADSON O FERINHA

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes