Jovens não precisam mais de álcool e cigarro para parecerem adultos, diz psiquiatra especialista em alcoolismo

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Jovens não precisam mais de álcool e cigarro para parecerem adultos, diz psiquiatra especialista em alcoolismo Adobe Stock No passado, adolescentes muitas vezes precisavam colocar o cigarro numa mão e uma bebida alcoólica na outra mão, imitando o comportamento de um adulto, para se sentirem adultos, destaca o psiquiatra e especialista em dependência de álcool e drogas Arthur Guerra. Mas isso vez mudando cada vez mais. Neste Dia Nacional de Combate às Drogas e Alcoolismo, o g1 e o Bem-Estar destacam que o número de brasileiros que afirmam não ter consumido álcool ao longo de todo o ano chegou a 64% em 2025 — um salto em relação aos 55% registrados em 2023. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a mudança é ainda mais expressiva: a proporção dos que declaram não ter bebido passou de 46% para 64%. Os dados são do relatório “Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2025”, do CISA - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool - que reúne análises sobre padrões de consumo, internações e mortalidade no país, além de contextualizar o cenário mundial com base em informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para Guerra, a redução do consumo de álcool acompanha uma tendência internacional. Ele destaca que o abuso de álcool e mesmo a dependência deixaram de ser algo chic e sofisticado. Mas apesar desse avanço na abstenção, os impactos do álcool na saúde pública seguem elevados. Entre 2010 e 2024, as internações relacionadas ao consumo cresceram 24,2% no Brasil. No cenário global, 2,6 milhões de mortes foram atribuídas ao álcool em 2019. O estudo destacou também o avanço dos danos entre pessoas com 55 anos ou mais. Nesta faixa etária houve crescimento de 105% nas internações atribuíveis ao álcool entre 2010 e 2024. E esta foi a única faixa etária com aumento consistente na mortalidade por álcool no período analisado, com alta de 51% entre 2010 e 2023. Internações por alcoolismo crescem no país: 4 pessoas são hospitalizadas por hora Jovens puxam alta da abstenção A pesquisa domiciliar realizada pela Ipsos a pedido do CISA mostra uma mudança consistente no padrão recente de consumo no Brasil: 64% dos brasileiros declararam não ter bebido álcool durante todo o ano, ante 55% em 2023; Entre jovens de 18 a 24 anos, a abstenção saltou de 46% para 64%; Entre pessoas com ensino superior, passou de 49% para 62%; O uso abusivo caiu de 17% para 15%. Para Guerra, a redução do consumo de álcool acompanha uma tendência internacional. “Essa redução segue um padrão mundial, não só no Brasil, mas nos outros continentes. É uma tendência nesse momento. Nós precisamos observar mais tempo para entender por que as pessoas, de forma geral, estão bebendo cada vez menos”, afirma. Segundo Guerra, o comportamento social em relação ao álcool mudou. O abuso de álcool e mesmo a dependência deixou de ser algo chic e sofisticado. “O uso de álcool existe há milhares de anos e provavelmente o vai continuar existindo por milhares de anos no futuro. O que hoje em dia tem sido discutido é a ingestão excessiva de álcool. Beber muito deixou de ser uma atividade interessante e passou a ser uma atividade preocupante”, afirma. Entre os jovens, o psiquiatra observa uma transformação cultural. “O consumo de álcool para que o jovem fique alcoolizado é um comportamento cada vez menos frequente.” Para ele, o consumo eventual e social é mais tolerado, mas o excesso perdeu espaço. Apesar da redução, o consumo abusivo ainda é mais frequente entre homens, adultos de 25 a 44 anos e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste. Outros dados chamam a atenção: 82% dos consumidores abusivos acreditam beber de forma moderada e apenas 9% reconhecem que bebem excessivamente e precisam mudar. Fígado sobrecarregado: hábitos podem prevenir e reverter a gordura hepática, que já afeta 30% dos adultos Internações aumentam mesmo com queda no consumo Entre 2010 e 2024, as internações totalmente atribuíveis ao álcool diminuíram 48,4%. Já as parcialmente atribuíveis aumentaram 50,3%. Como resultado, o total de internações relacionadas ao álcool (somando as duas categorias) cresceu 24,2% no período. O relatório utilizou dados do Datasus e aplicou as Frações Atribuíveis ao Álcool recomendadas pela OMS para estimar o impacto do consumo em diferentes doenças e agravos. 2,6 milhões de mortes no mundo Segundo a OMS, embora o consumo per capita tenha diminuído levemente desde 2010, o impacto permanece significativo. Em 2019, o álcool foi responsável por: 2,6 milhões de mortes (4,7% do total global); 115,9 milhões de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (4,6% da carga mundial de doenças). O consumo médio global foi de 5,5 litros por adulto ao ano em 2019. A Europa e as Américas registraram níveis acima da média mundial. Idosos concentram crescimento de internações A edição 2025 do Panorama destaca ainda o avanço dos danos entre pessoas com 55 anos ou mais. Essa faixa etária apresentou crescimento de aproximadamente 105% nas internações atribuíveis ao álcool entre 2010 e 2024 — 127,5% entre homens e 99% entre mulheres. Na mortalidade, foi a única faixa etária com aumento consistente no período analisado, com alta de 51% entre 2010 e 2023. Benefícios de reduzir ou parar de beber Guerra destaca que diminuir ou interromper o consumo de álcool traz ganhos importantes: Perda de peso Melhora do sono e qualidade de vida Sensação de segurança Melhora na ansiedade Melhora da função hepática Melhora na capacidade cognitiva – atenção, pensamento e memória Melhora do sistema cardiovascular Menor risco de desenvolver câncer “O álcool é muito calórico. Não dá para fazer regime, perder peso se não cortar bebida alcoólica. Quando a pessoa para de beber, de imediato há uma melhora no pensamento, na atenção, na memória”, afirma. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a redução do consumo não elimina automaticamente os impactos acumulados ao longo dos anos. O Brasil vive hoje um cenário paradoxal: mais pessoas dizem não beber, especialmente entre os jovens, mas os danos associados ao álcool ainda pressionam o sistema de saúde — um sinal de que o desafio vai além da escolha individual e exige políticas públicas consistentes de prevenção e cuidado. Fígado abstêmio: o que acontece com seu fígado após 24 horas, 7 dias ou 30 dias sem álcool

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/20/jovens-nao-precisam-mais-de-alcool-e-cigarro-para-parecerem-adultos-diz-psiquiatra.ghtml


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