Liga-SP se reúne para sortear a ordem de leitura das notas do desfile do Grupo Especial; apuração será na terça
16/02/2026
(Foto: Reprodução) Confira como foi o primeiro dia de desfiles em SP
A Liga das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) faz uma reunião na tarde desta segunda-feira (16) para sortear a ordem de leitura das notas do desfile do Grupo Especial. No encontro, também serão julgadas as atas de punição. A apuração acontece na terça-feira (17).
Na primeira noite de desfiles, os destaques ficaram com Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Vai-Vai. Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul, Colorado do Brás e Mocidade Unida da Mooca também desfilaram. Os sambas-enredo ressaltavam a força feminina, a natureza, a espiritualidade e o trabalho.
Na segunda noite, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel e Império de Casa Verde ficaram entre as favoritas do público.
Águia de Ouro, Tom Maior, Escola do Terceiro Milênio e Camisa Verde e Branco também passaram pelo Anhembi. Carros grandiosos, com homenagens a lugares, figuras históricas e religiosidade, encheram a avenida. Somente o Camisa estourou o tempo de 65 minutos, depois que o último carro parou no caminho.
Sabrina Sato brilha no desfile da Gaviões da Fiel, em São Paulo.
Leo Franco/AgNews
Abaixo, veja como foi o desfile de cada escola:
Por do sol no Sambódromo do Anhembi
Paola Patriarca/g1
Desfiles do 1º dia
Mocidade Unida da Mooca
Colorado do Brás
Dragões da Real
Acadêmicos do Tatuapé
Rosas de Ouro
Vai-Vai
Barroca Zona Sul
Mocidade Unida da Mooca
Bateria da Mooca faz paradona emocionante e saúda o público no Anhembi
Com uma bela estreia no Grupo Especial, a Mocidade Unida da Mooca abriu o primeiro dia dos desfiles de São Paulo. A escola homenageou o instituto “Geledés”, com um enredo que enaltecia as mulheres negras.
O desfile foi da mística iorubá à exaltação de mulheres ao longo da história, com a participação de Sueli Carneiro, Nilza Araci, Conceição Evaristo e Erika Hilton.
Um destaque foi a emocionante "paradona" da bateria para saudar o público, momento em que alguns integrantes se ajoelharam e levantaram o punho. Em compensação, a escola precisou apertar o passo, mas não estourou o tempo.
Colorado do Brás
Glinda, Elphaba, Cuca... veja as bruxas famosas em carro da Colorado do Brás
A Colorado do Brás foi a segunda escola a desfilar, levando uma dose de bruxaria para a sexta-feira 13. Neste segundo ano de volta ao Grupo Especial, a agremiação levou o enredo "A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado".
Na avenida, desfilaram bruxas com caldeirões, "fogueiras", corujas e curandeiras indígenas. O desfile começou em tom de terror e foi ficando mais leve e colorido ao longo do enredo.
O público se empolgou especialmente com o terceiro carro, chamado "A Convenção das Bruxas". Nele, estavam várias bruxinhas da cultura pop: Úrsula ("A Pequena Sereia"), a atriz Fabi Bang como a Glinda de "Wicked", Bruxa do 71, Cuca e mais.
Dragões da Real
Dragão de 9 metros impressiona no desfile da Dragões da Real
Pela primeira vez em sua história, a Dragões da Real levou um tema indígena para a avenida. A escola fez uma viagem ao universo da Amazônia, exaltando as mulheres guerreiras Icamiabas. A agremiação já foi vice-campeã três vezes, mas ainda briga pelo seu primeiro título.
Neste ano, a Dragões impactou logo no abre-alas, com o maior dragão que a escola já construiu (este tinha 9 metros). Os integrantes desfilaram com fantasias coloridas e iluminadas, repletas de efeitos especiais. Madrinha de bateria, Lexa desfilou exibindo um efeito de luz verde em suas mãos.
Foram grandiosos carros alegóricos para representar a floresta amazônica e suas entidades. Em especial, o último, com uma onça gigante que se abria, revelando o rosto de uma mulher. A revelação teve alguns problemas e não abriu completamente, mas não deixou de ser impressionante.
Acadêmicos do Tatuapé
Tatuapé faz homenagem a jovem torcedor da escola que doou órgãos
Vice-campeã em 2025, a Acadêmicos do Tatuapé trouxe para a avenida a história da agricultura e das lutas sociais pela terra. O desfile começou pela semente, a fauna e a flora brasileiras, com um grande abre-alas de cores vivas.
A Tatuapé seguiu mostrando a história da disputa de terras, com direito a uma ala dedicada a Canudos e outra à reforma agrária popular. Mostrou também os vilões da agricultura, com o desmatamento e as pragas.
Além das fantasias vibrantes, a escola se destacou principalmente pela bateria, que tomou conta do Anhembi. O desfile encerrou exaltando a figura do agricultor e a festa na roça, incluindo uma bela homenagem ao torcedor Thiago Arakaki, que morreu em 2025 e doou seus órgãos.
Rosas de Ouro
Marcia Sensitiva é destaque em carro da Rosas de Ouro
Vencedora em 2025, a Rosas de Ouro já entrou na avenida com 0,5 ponto a menos, após ser punida por não entregar pastas técnicas no prazo. Além disso, teve que atrasar o desfile em mais de meia hora para a limpeza da pista, após um vazamento de óleo.
A Rosas levou o enredo "Escrito nas Estrelas", recontando a relação entre as civilizações antigas e a astrologia. O desfile abria com a representação do zodíaco, porém um dos membros passou mal pouco antes e a comissão de frente acabou ficando sem um dos 12 signos.
Mas a agremiação entregou um lindo desfile, esbanjando nas fantasias e na iluminação dos carros. Teve a participação de Márcia Sensitiva e até um integrante vestido de Walter Mercado.
Vai-Vai
Vai-Vai desfila no Anhembi
O Vai-Vai levou o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, em homenagem ao cinema Vera Cruz, à cidade e às pessoas de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
A escola entrou na pista ao amanhecer, com o céu em tons de vermelho e laranja. A agremiação abriu com uma bela comissão de frente e carro abre-alas em celebração ao cinema.
No desfile, o Vai-Vai mostrou também as linhas de montagem de carros, os operários, falou da luta sindical e encerrou com um carro alegórico que representava a paisagem da cidade.
Barroca Zona Sul
Veja a apresentação do Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Barroca Zona Sul
Última a desfilar no primeiro dia, a Barroca Zona Sul levou para a avenida uma homenagem a Oxum, orixá das águas doces, associada à fertilidade, ao amor e à beleza, prometendo “banhar” o Anhembi de axé.
A escolha vem após a escola ter escapado por pouco do rebaixamento em 2025, quando terminou na 12ª colocação, e marca uma tentativa de recuperação no grupo especial. A agremiação buscou unir religiosidade, identidade cultural e impacto visual para conquistar público e jurados.
Do abre-alas à última alegoria, a Barroca apostou em figurinos em tons de dourado, que dominaram a avenida dos pés à cabeça, em referência ao ouro de Oxum. A paleta brilhante, combinada a tecidos fluidos e elementos aquáticos, reforçou o clima de celebração e espiritualidade ao longo do desfile.
Desfiles do 2º dia
Império de Casa Verde
Águia de Ouro
Mocidade Alegre
Gaviões da Fiel
Estrela do Terceiro Milênio
Tom Maior
Camisa Verde e Branco
Império de Casa Verde
Império encerra desfile com mulheres pretas e o grito por liberdade
A Império de Casa Verde abriu o segundo dia de desfile, com um enredo que exaltou as joias afro-brasileiras. A proposta da escola foi de celebrar o empoderamento feminino, a história das escravizadas de ganho e seus balangandãs, peças fundamentais na história de resistência do Brasil.
A Império começou com um luxuoso abre-alas dourado e uma figura em pose de reza. Em grandes carros alegóricos, a escola representou altares, exaltou o sincretismo religioso e as rainhas africanas.
A escola se destacou pela beleza e riqueza do desfile, com fantasias elaboradas e brilhantes.
Águia de Ouro
Profissionais do sexo e bonecão de maconha chamam atenção em carro da Águia de Ouro
Segunda escola a desfilar nesta noite, a Águia de Ouro celebrou Amsterdam, na Holanda, com o enredo “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”. A agremiação levou as casinhas, os moinhos e até as tulipas para o pavilhão.
O enredo enalteceu figuras como Anne Frank, Vincent Van Gogh e Piet Mondrian, falou da liberdade LGBTQIAPN+ e das profissionais do sexo do Distrito da Luz Vermelha. E divertiu o público ao representar "o verde permitido" com um "bonecão de maconha", em alusão à liberação da cannabis na Holanda.
Foi o desfile mais rápido entre as escolas de São Paulo, com 58 minutos.
Mocidade Alegre
Mocidade traz piscina em carro em homenagem a Iemanjá
A Mocidade Alegre celebrou o legado e a história da atriz Léa Garcia, com o enredo “Malunga Léa - Rapsódia de uma Deusa Negra”. Já abriu encantando o público com a comissão de frente, que contava com a participação de Thelma Assis como Léa e Fred Nicácio como Abdias Nascimento.
A escola, que ficou em 4º lugar em 2025, também levou um deslumbrante carro abre-alas, repleto de indumentárias africanas, em referência à ancestralidade de Léa. Outras alegorias representaram o prêmio Kikito, do Festival de Gramado, e deusas negras, incluindo uma Iemanjá que soltava água.
O fim foi no sufoco: a escola precisou apertar o passo, mas ficou dentro do tempo.
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Gaviões da Fiel
Em desfile da Gaviões da Fiel, ministra Sônia Guajajara critica marco temporal
Neste ano, a Gaviões homenageou os povos originários e a preservação das florestas (evitando o verde, claro) no Anhembi. A escola, que ficou em 3º lugar no ano passado, levou carros monumentais para a avenida.
Foi dela o maior carro deste Carnaval de SP: um abre-alas de 72 metros de comprimento, representando um "sonho" em que animais, plantas e seres humanos vivem em harmonia. Apesar da ausência do verde, justificada pela floresta em transe, o desfile foi bastante colorido.
O desfile também celebrou lideranças indígenas como Sônia Guajajara e o cacique Raoni. No fim, a agremiação representou o Brasil "indigenizado", com o Cristo Redentor usando um cocar.
Estrela do Terceiro Milênio
De vermelho, operários pedem justiça social no carro da Terceiro Milênio
Em seu terceiro desfile no Grupo Especial, a Estrela do Terceiro Milênio exaltou o sambista e compositor Paulo César Pinheiro.
A escola representou algumas figuras importantes na vida de Paulo, como Baden Powell, Clara Nunes e Dona Ivone Lara; também teve homenagem à Mangueira e à literatura.
Um destaque foi o carro "Canto das Três Raças", em alusão a uma das maiores canções compostas por Pinheiro, cantada por Clara Nunes. Monocromático, o carro tinha bandeiras com os dizeres "justiça social" no topo.
Tom Maior
Carro da Tom Maior tem pane elétrica durante desfile
De volta ao Grupo Especial, a Tom Maior levou ao sambódromo a trajetória de Chico Xavier e a cidade de Uberaba, em Minas Gerais. Para recontar a história da cidade, a agremiação revisitou as lendas locais, a indústria e as igrejas.
A escola impressionou com um grandioso abre-alas turquesa, em homenagem às águas de Uberaba. Um dos carros, em referência à cultura indiana, teve um probleminha na iluminação e se apagou durante o desfile, mas logo voltou a funcionar.
A homenagem a Chico Xavier veio no fim, com uma celebração à influência do espiritismo em Uberaba. A alegoria borrifava cheiro de rosas na avenida.
Camisa Verde e Branco
Homenagem a Exu marca o abre-alas do Camisa Verde e Branco
Última escola do Carnaval de SP, o Camisa Verde e Branco celebrou as diferentes manifestações de Exu, orixá que é guardião das encruzilhadas, dos caminhos e da comunicação.
Com uma bateria contagiante, a escola desfilou ao amanhecer, o que acabou sendo apropriado para o enredo "abre caminhos". Alegorias repletas de búzios, plumas e cores tomaram conta da avenida, com representações de Maria Padilha, Zé Pelintra e mais.
A escola já vinha em uma corrida contra o tempo, quando o último carro parou na avenida e precisou ser empurrado. Com isso, o Camisa estourou o tempo, passando com 66 minutos.