Ponte Rio-Niterói testa radar de velocidade média: entenda como funciona e se terá multa

  • 17/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ponte Rio-Niterói prevê mais de 855 mil veículos no feriadão de Corpus Christi Divulgação A Ponte Rio-Niterói será um dos trechos de rodovias brasileiras que vão testar um novo sistema de fiscalização capaz de calcular a velocidade média dos veículos durante o percurso. Diferentemente dos radares convencionais, que registram a velocidade em um ponto específico, a tecnologia acompanha quanto tempo o motorista leva para percorrer determinada distância. Nesta fase, o projeto tem caráter experimental e não haverá aplicação de multas nem registro de infrações com base na velocidade média. O objetivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é avaliar a tecnologia para uma eventual utilização em rodovias federais concedidas. No Rio de Janeiro, os testes estão autorizados em trechos da BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e da BR-116. Onde haverá testes no RJ? Além da Ponte Rio-Niterói, a ANTT autorizou testes do radar de velocidade média em outros quatro trechos de rodovias federais concedidas no estado. Dois ficam na BR-101, sob concessão da Autopista Fluminense, e outros dois na BR-116, administrada pela EcoRioMinas. BR-101/RJ Itaboraí/São Gonçalo: km 298,6 ao km 313 — sentido Norte: 14,4 km / km 298,3 ao km 314,39 — sentido Sul: 16,09 km Ponte Rio-Niterói: km 323,7 ao km 332,72 — sentido Norte: 9,02 km BR-116/RJ: Nova Iguaçu: km 182,085 ao km 173,460 — sentido Norte: 8,6 km Teresópolis: km 64,350 ao km 69,550 — sentido Sul: 5,2 km O estado faz parte de um grupo de oito unidades da federação onde a tecnologia poderá ser experimentada (veja no fim da reportagem outros locais). Como funciona o radar de velocidade média? Como funciona o radar de velocidade média arte/g1 O princípio é simples: em vez de medir apenas a velocidade instantânea do carro, o sistema registra a passagem do mesmo veículo em dois ou mais pontos. Como a distância entre os equipamentos é conhecida, o sistema verifica quanto tempo o veículo levou para percorrer aquele trecho. A partir dessas duas informações — distância e tempo — é calculada a velocidade média. Na prática, o modelo dificulta uma estratégia comum de motoristas diante dos radares convencionais: frear pouco antes do equipamento e acelerar novamente depois de passar por ele. Se o motorista percorrer o trecho monitorado acima do limite permitido durante boa parte do caminho, reduzir a velocidade apenas ao se aproximar dos pontos de controle pode não ser suficiente para manter a média dentro do limite. O novo radar vai multar? Não durante o projeto-piloto. A ANTT afirma que o teste tem caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Nesta etapa, a velocidade média registrada não poderá, por si só, resultar em autuação ou penalidade. Isso não significa, porém, que os motoristas possam desrespeitar os limites de velocidade na Ponte. Os radares convencionais e as demais formas de fiscalização existentes continuam funcionando normalmente. Assim, um motorista flagrado cometendo uma infração por um equipamento que já esteja em operação poderá ser multado pelas regras atuais. Quanto tempo vai durar o teste? O período previsto é de 180 dias e poderá ser prorrogado, segundo a ANTT. Na Ponte Rio-Niterói, a contagem dos 180 dias começará somente quando o sistema for instalado e a coleta de dados tiver início. A decisão da ANTT não estabelece uma data exata para o começo do monitoramento. O experimento também poderá ser prorrogado ou encerrado antes do prazo, dependendo dos resultados e de questões técnicas ou de interesse público. Motoristas vão saber onde há monitoramento? Sim. A ANTT determina que os locais onde o sistema for utilizado informem os usuários de que o experimento está sendo realizado. Na Ponte, a concessionária deverá instalar e manter sinalização no trecho monitorado, avisando que a velocidade média dos veículos está sendo acompanhada. A decisão não informa quantos equipamentos serão usados nem os pontos exatos de entrada e saída do sistema dentro dos 9,02 quilômetros autorizados. Durante o teste, a concessionária também deverá enviar relatórios mensais à ANTT. A agência pretende analisar, entre outros pontos, a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos motoristas e o desempenho operacional do sistema. O sistema poderá multar no futuro? O teste atual não autoriza multas por velocidade média. Uma eventual adoção do sistema como instrumento de fiscalização dependerá de etapas posteriores. A ANTT afirma que o objetivo do projeto é avaliar a tecnologia para uso em rodovias federais concedidas. Onde os radares serão testados Os testes serão realizados em trechos das seguintes rodovias: Rio de Janeiro: trechos na BR-101/RJ (incluindo a Ponte Rio-Niterói) e BR-116/RJ. Espírito Santo: trechos na BR-101/ES. Goiás: trechos na BR-414/GO. Mato Grosso do Sul: trechos na BR-163/MS. Minas Gerais: trechos na BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG. Paraná: trechos nas rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151. Rio Grande do Sul: trechos na BR-386/RS. Santa Catarina: trechos na BR-101/SC. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o período de 180 dias poderá ser prorrogado. O objetivo é avaliar a tecnologia para uso em rodovias federais concedidas. Neste primeiro momento, a fiscalização observará o comportamento dos motoristas nos trechos monitorados. Não haverá aplicação de multas nem registro de infrações de trânsito. “A ANTT ressalta que o projeto-piloto tem caráter exclusivamente técnico, educativo e experimental. Nesta etapa, a velocidade média registrada no trecho não poderá, por si só, gerar autuação ou penalidade", diz a pasta. Sistema já é testado no Brasil há quase 10 anos A Eco Rodovias testa os radares na BR-050, em um trecho de 11 km na cidade de Uberaba (MG), que apresenta um alto índice de mortes por acidentes de trânsito. De acordo com a concessionária, o número de flagrantes caiu 22,5% na comparação entre 15 dias antes e 15 dias depois da realização de blitz educativa junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF). “A gente pegava esse motorista, levava para a tenda e explicava o projeto e instruía [sobre segurança no trânsito]. Hoje, o radar de velocidade média é voltado para campanhas de segurança viária aqui na 050”, conta o gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, Bruno Araújo Silva. Antes disso, eles já emitiram 852 mil notificações em seis meses de testes em São Paulo (SP). Também de caráter educativo, o aviso não foi seguido de infração ou multa. Estes radares estavam em quatro pontos de fiscalização. Um na Avenida Jacu Pêssego, na Zona Leste de São Paulo, foi o que fez o maior número de notificações. A velocidade máxima da via, de 26 km, é de 50 km/h, mas só 3 km foram monitorados. Outros radares estavam na Avenida dos Bandeirantes, Marginal Tietê e Avenida 23 de Maio.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/09/17/ponte-rio-niteroi-testa-radar-de-velocidade-media-entenda-como-funciona-e-se-tera-multa.ghtml


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